Fantasia Festival começa hoje com sua 30ª edição

O maior festival norte-americano de cinema de gênero começa hoje! Baseado em  Montreal, no Canadá, o  Fantasia International Film Festival chega a sua 30ª edição, começa hoje, dia 16 de julho, e termina no dia 2 de agosto.

Separei 6 filmes que vão rolar nessa edição do festival, incluindo produções brasileiras! Confira:

BLACK ZOMBIE (2026) – DIR.: Maya Annik Bedward

A roteirista e diretora Maya Annik Bedward mergulha na história e no impacto do zumbi em seu primeiro documentário de longa-metragem, reunindo uma grande quantidade de informações acessíveis por meio de historiadores, da influente escritora e cineasta de horror Tananarive Due, do lendário maquiador Tom Savini e de entusiastas dos zumbis. Bedward investiga as origens dessa figura, examinando a história do tráfico transatlântico de pessoas escravizadas, a brutalidade da deportação em massa de povos africanos e de suas práticas religiosas, arrancadas de seu contexto durante esse período e posteriormente demonizadas pelo domínio europeu e pelo colonialismo no Haiti.

PRIVADAS DE SUAS VIDAS (2026) – DIR.: Gustavo Vinagre, Gurcius Gewdner

Quando a vontade aperta, não tem jeito. Mas ir ao banheiro não deveria significar que sua hora chegou, certo? É exatamente isso, porém, que acontece neste condomínio de apartamentos em São Paulo. Anos após o trauma de perder um dos filhos em um bizarro acidente envolvendo um vaso sanitário (afinal, eles não são tão resistentes quanto parecem), a organizadora de eventos Malu (Martha Nowill) decide se dedicar mais à carreira e menos ao outro filho, o rebelde Genesis (Benjamín Damini). Uma vizinha influenciadora a contrata para produzir a transmissão ao vivo de um lucrativo chá revelação, algo que desagrada o não binário Genesis. Ao mesmo tempo, seu intestino parece ter chegado ao limite, deixando Malu com uma constipação severa e um verdadeiro medo de usar o banheiro. Mas Malu pode ser a única moradora do prédio que não está fazendo suas necessidades. Enquanto isso, o edifício se torna palco de uma ocorrência sobrenatural bizarra, caótica e extremamente nojenta, que vai literalmente fazer os moradores morrerem de medo (e muito mais do que isso).

NOVO CORPO (2026) – DIR.: Luciana Malavasi

Em uma fazenda isolada, uma senhora encontra uma mulher ferida e assustada no fundo de sua casa. Movida por um instinto inexplicável, decide ajudá-la, sem imaginar que esse encontro silencioso despertará segredos enterrados. Quando a tensão finalmente cede espaço à confiança, algo sombrio se aproxima, trazendo uma verdade que ninguém poderia prever.

JIM QUEEN (2026) – DIR.: Nicolas Athane, Marco Nguyen

Bem-sucedido, em ótima forma e absolutamente deslumbrante. Jim Parfait (com voz de Alex Ramirès, de The Visitor from the Future, 2022) é o centro do universo gay em Paris. Admiradores, amantes e rivais o enxergam como um formador de tendências, responsável por definir gírias e estabelecer o padrão ideal de beleza masculina. Mas tudo muda quando uma nova IST começa a se espalhar pelas baladas e academias da cidade, infectando exclusivamente homens gays. Os sintomas? Os infectados começam a se tornar heterossexuais: perdem a musculatura, passam a se interessar por esportes e desenvolvem um inesperado desejo de constituir uma família tradicional. A doença, conhecida como Heterosis, representa o pior pesadelo possível para Jim. O que se segue é uma jornada irreverente, exagerada e assumidamente queer em busca da cura para essa enfermidade. À medida que a infecção avança, Jim começa a perder seu posto de ícone, enquanto o filme explora as políticas internas e o elitismo das comunidades gays altamente segmentadas de Paris, sugerindo que essas divisões podem ser um obstáculo tão grande para a libertação LGBTQIA+ quanto qualquer ameaça externa.

PAPAYA (2026) – DIR.: Priscilla Kellen

Apaixonada pela ideia de voar, uma pequena semente de mamão precisa continuar se movendo para evitar enraizar-se. Perseverante, ela descobre o poder de suas raízes, que conectam a vida por caminhos profundos e misteriosos, e desencadeia uma grande revolução, transformando seu ambiente e realizando seu sonho da forma mais inusitada.

FREAKS PART II (2026) – DIR.: Zach Lipovsky, Adam Stein

Após escrever e dirigir o cult independente de ficção científica Aberrações (Freaks) (2018) e comandar o aclamado e recordista Premonição 6 (2025), os cineastas canadenses Zach Lipovsky e Adam Stein retornam ao universo dos mutantes com o aguardado Freaks Part II. Alguns anos depois de uma fuga traumática, reencontramos Mary (Amanda Crew) e sua filha Chloe (Lorelei Olivia Mote), vivendo na estrada enquanto escondem seus poderes e suas identidades. As duas são perseguidas pela Abnormal Defence Force (ADF), uma força policial paramilitar especializada em caçar e exterminar impiedosamente os chamados “freaks”, pessoas com habilidades extraordinárias como elas. Movida pela vingança, Mary tem apenas um objetivo: encontrar a agente da ADF responsável pela morte de seu primeiro filho. Essa agente é Erica Lang (Lili Taylor, The Conjuring, Outer Range), agora uma das principais oficiais da corporação e determinada a capturar Mary. Ao mesmo tempo, Mary tenta controlar Chloe, que se tornou uma pré-adolescente extremamente poderosa e precoce, muito distante do estereótipo dos heróis das histórias em quadrinhos. O desejo impulsivo da garota de fazer uma amizade acaba colocando os planos da mãe em risco, enquanto visões sobrenaturais de uma misteriosa menina as conduzem para um caminho perigoso, revelando segredos do passado de Mary que permaneceram enterrados por muito tempo.

Hold the Fort (2025) – Fantasia International Film Festival

Gosto de analisar um filme de acordo com o que ele se propõe, e acredito que Hold The Fort é muito eficaz nesse sentido. O longa, presente na seleção da edição de 2025 do festival franco-canadense Fantasia International Film Festival, já abre com uma divertida e sangrenta cena inicial, que define bem o tom de bizarrices e comédia que encontraremos ao longo de seus 74 minutos.

No filme de William Bagley, que coescreveu o roteiro com Scott Hawkins, um casal se muda para uma vizinhança aparentemente perfeita e tipicamente norte-americana. Mas, já em uma simples corrida matinal, um dos protagonistas se depara com elementos fora do comum, como um vizinho recebendo pacotes de munição em casa e um livro sobre como combater lobisomens.

Com menos de 20 minutos de filme, já estamos tão imersos no universo que aceitamos tranquilamente a aparição de bruxas pouco antes da primeira explosão de sangue, que acontece junto com a entrada triunfal do carismático McScruffy (vivido por Hamid-Reza Benjamin Thompson). Os personagens, aliás, são um dos grandes trunfos do filme. Juro que soltei um “aaah” quando alguns deles se transformaram em zumbis.

O longa tem o charme de uma série de TV aberta do início dos anos 2010 (e digo isso como um grande elogio — eu com certeza acompanharia essa série) e também funciona como uma homenagem aos grandes monstros e criaturas do cinema de gênero.

Alguns personagens flertam com o caricato, o que pode afastar quem tiver mais dificuldade para embarcar no nonsense. Ainda assim, as piadas são muito bem encaixadas nos diálogos, e os protagonistas são bem apresentados dentro de uma estrutura narrativa que segue, com competência, clichês clássicos dos filmes de apocalipse zumbi e companhia (e isso também é um elogio!). Luccas, personagem de Chris Mayers, praticamente presta tributo a Ash, de Evil Dead, em sua jornada emocional ao longo do filme.

Outro destaque vai para as cenas de ação. Em uma sequência especialmente inspirada, os personagens precisam trabalhar juntos para derrotar uma espécie de vampiros-zumbis — um precisa empurrar a estaca no peito dos mortos-vivos com a ajuda do outro. É uma das cenas mais bem filmadas do longa.

Bruxas, zumbis, lobisomens (adorei a cena em que o lobisomem aparece), monstro final e grandiosas cenas de sacrifício podem parecer uma mistura caricata (e, na verdade, até é), mas era exatamente o que eu precisava no fim de um dia cansativo.

Conheça o Fantasia Festival e confira 6 filmes imperdíveis da edição 2025

De 16 de julho a 3 de agosto, a cidade de Montreal, no Canadá, se transforma em um verdadeiro ponto de encontro para fãs de cinema fantástico, profissionais da indústria e curiosos em busca de experiências cinematográficas únicas. Em 2025, o Fantasia International Film Festival chega à sua 29ª edição, consolidado como um dos maiores festivais de cinema de gênero do mundo.

Reconhecido por revelar novos talentos e abraçar obras ousadas que transitam entre o terror, a ficção científica, o suspense e a animação, o Fantasia atrai uma audiência apaixonada e vibrante – um dos grandes atrativos para cineastas, distribuidoras e programadores de festivais do mundo todo. Além das exibições de longas e curtas, o evento também promove o Frontières International Co-Production Market, que em 2025 chega à sua 15ª edição e reunirá mais de 400 profissionais da área para impulsionar futuras produções independentes.

Neste post, selecionei 6 filmes que prometem agitar a programação do festival este ano — seja pelos nomes envolvidos, pelas temáticas instigantes ou pela forma criativa com que abordam o cinema de gênero. Prepare a sua lista!

Burning (Quirguistão) – Dir. Radik Eshimov
Um incêndio em meio à tempestade é só o começo de um enigma moral que se desdobra pelas bocas de vizinhos fofoqueiros. Misturando tragédia familiar, especulação comunitária e um toque de misticismo, Burning promete ser uma daquelas histórias em que a dúvida é mais incômoda do que qualquer resposta.

    Influencers (EUA) – Dir. Kurtis David Harder
    CW está de volta — e isso nunca é boa notícia. Depois do sucesso de Influencer (2022), Kurtis David Harder retorna com uma sequência sombria que continua a trajetória da manipuladora mais intrigante das redes. Prepare-se para mais jogos psicológicos, cenários luxuosos e uma protagonista que amamos odiar.

    Good Boy (EUA) – Dir. Ben Leonberg
    Imagine um filme de casa assombrada… só que do ponto de vista do cachorro. Indy, o “bom garoto” do título, sente que algo não vai bem na nova casa de seu dono, mas como avisar um humano quando se é apenas um cão? Misturando terror e ternura, esse parece ser o tipo de filme que vai fazer muita gente sair do cinema querendo abraçar o próprio pet.

    Juntos (Together) (EUA, Austrália) – Dir. Michael Shanks
    Alison Brie e Dave Franco interpretam um casal à beira do colapso que precisa enfrentar não só suas mágoas acumuladas, mas também uma energia sobrenatural que insiste em uni-los – literalmente. Uma mistura de terror corporal, drama de relacionamento e bizarrice conceitual que promete ser tão perturbadora quanto criativa.

    Foreigner (Canadá) – Dir. Ava Maria Safai
    Uma jovem iraniana tenta desesperadamente se encaixar no colégio canadense, mas quanto mais renega suas raízes, mais algo sombrio parece despertar dentro dela. Com estética 2000s e crítica afiada ao racismo disfarçado de “curiosidade”, Foreigner tem tudo para ser uma das joias do festival — daquelas que misturam terror, identidade e comentário social.

    Eddington (EUA) – Dir. Ari Aster
    Abrindo o festival com pompa, Eddington marca o retorno de Ari Aster (Hereditary, Midsommar, Beau Is Afraid). Ambientado em uma pequena cidade em crise, o filme reúne Joaquin Phoenix, Pedro Pascal e um elenco de peso para explorar paranoia, tensão política e o colapso do convívio. Se seguir a tradição dos trabalhos anteriores de Aster, prepare-se para algo desconfortável, inteligente e estilisticamente arrebatador.